segunda-feira, 28 de abril de 2008

Escritores da liberdade

Já faz alguns meses que assisti ao filme "Escritores da liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) e adorei! Me lembrei dele pois tem um enredo que envolve o cotidiano escolar e a escrita. Nesta história uma professora recém formada e cheia de expectativas e de empenho vai trabalhar em uma escola da periferia. Lá encontra forte resistência dos alunos em relação ao trabalho, ela é professora de Língua Inglesa e de Literatura. O fato é que, indo contra todos aqueles que não acreditavam naqueles alunos, ela não desiste e propõe a eles que escrevam um diário, deixa iclusive livre para que eles decidam se querem ou não que ela os leia, desde que os escrevam.
Para isso, ela entrega aos alunos um caderno para que escrevam sobre aspectos de suas próprias vidas, de fatos do seu cotidiano a conflitos pessoais. Além disso, passa a indicar a leitura de diferentes obras sobre episódios marcantes da história da humanidade, como o "O Diário de Anne Frank", ao invés de sugerir os livros do currículo escolar que subestimavam a capacidade dos alunos. Desta forma ela sensibiliza os alunos em relação a intolerância, sentimento muito presente entre eles. Com o passar do tempo, os alunos vão se engajando em seus escritos diários e trocando experiências de vida, assistimos então a muitas transformações individuais. Vemos que através da leitura e da escrita a vida daqueles jovens se transforma de maneira muito profunda.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Leitura que vale a pena

Aprendi recentemente nas aulas de Filosofia da Educação a fazer o fichamento de um texto. É claro que eu já sabia fazer resumos, também tenho o hábito de estudar escrevendo o assunto com minhas palavras enquanto leio, mas estes últimos fichamentos que fiz me levaram a uma maior compreensão dos textos.
Outro fator que tem estimulado a leitura mais atenta destes textos são as discussões que fazemos nas aulas. Ali o texto já destrinchado, fica ainda mais claro e o melhor é poder pensar questões, argumentar, voltar ao texto em busca de respostas, ou seja, sentir se conhecedor daquele assunto.
Para a preparação do seminário das aulas de quinta, tive esta mesma experiência. As três envolvidas no seminário já tinham lido o texto a ser trabalhado e para um melhor entendimento resolvemos reler o texto juntas, comentando parte por parte e fazendo um resumo. O resultado foi ótimo, pois nos dedicamos ao texto, aprofundamos o assunto, fomos esclarecendo o que o autor dizia e discutindo cada idéia. A sensação de trabalho bem feito e de tempo bem investido é gratificante. Este tipo de leitura é a do tipo que vale a pena! Quando de fato entramos em contato com o texto e com as idéias do autor e realmente raciocinamos com eles.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Identificar -se

Na última aula fiquei pensando a respeito da preferência que temos por alguns livros e por alguns autores. Certos livros nos tocam de maneira muito especial. Tudo depende do momento que estamos vivendo. Depois de algum tempo podemos até mudar de idéia e não mais gostar de certa obra ou então, reler um autor e passar a admirar sua escrita, suas idéias.
Tudo depende da nossa história, do momento em que estamos, de uma maturidade, uma vivência. Cada qual tem a sua, portanto, cada qual irá admirar ou rejeitar um autor ou uma história conforme sua identificação pessoal. Muitas vezes uma frase nos toca de maneira singular e à outra pessoa pode não significar nada.
Quando era um pouco mais nova adorava romances com amores impossíveis, e isso falava muito a respeito de minha história pessoal. Meus livros favoritos eram "O morro dos ventos uivantes" da Emily Bronte, " Orgulho e Preconceito" da Jane Austen e "E o vento levou..." da Margareth Mitchel. Eu amava estas histórias, elas falavam de paixões complicadas e que não conseguiam se realizar, havia uma angústia, uma tristeza, que me entretiam muito. "E o vento levou" era um dos meus filmes favoritos e depois de assistir o filme diversas vezes resolvi ler o livro, e amei! Eu devorei o livro, e achei bem mais interessante que o filme pois havia mais detalhes e outros personagens diferentes do filme, pude curtir ainda mais aquela história que eu tanto gostava. Também me interessei em ler os outros dois livros depois de ouvir falar de sua história e achei que poderiam me agradar.
Acho que esta identificação varia muito com o passar do tempo, pois nós mesmos mudamos dia após dia, ainda bem! Pois ficar naquele chororo de paixões impossíveis não tinha nada a ver! Ainda acho aquelas histórias ótimas, escritas de um modo envolvente, mas acho que não mais as leria com tanta intensidade.
Agora, fica só uma lembrança daquela época em que me identificava tanto com aqueles romances.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Escrever para elaborar

Gostei muito de ler o livro do Rilke, "Cartas a um jovem poeta". Foi uma leitura gostosa e que eu fazia antes de dormir, tranquilamente.
Devo confessar que fiquei aliviada diante da escolha do livro, pois achei que a maioria dos outros livros tinham muitas informações e não sei o quanto me envolveria com os outros textos. As cartas de Rilke tinham uma linguagem subjetiva, eram mais lições de vida, divagações, do que lições a respeito da escrita.
Me chamou a atenção um dos trechos da primeira carta em resposta a Kappus em que Rilke diz que o poeta deve se perguntar se ele morreria se lhe fosse vetado escrever, se ele precisa realmente escrever. Acho que quando Rilke indaga você morreria se não pudesse escrever, ele está falando sobre os sentimentos do poeta, do transbordamento destes e da necessidade de colocá-los em palavras.
Achei isso curioso pois as vezes fico intrigada com alguma coisa, ou tenho algo que gostaria de falar, uma observação ou crítica, e tenho realmente a necessidade de escrever aquilo. Talvez este seja um processo de elaboração do assunto.
Achei o livro muito sensível e recomendo a todos que queiram se deliciar um pouquinho com as dúvidas e paixões da vida.