sexta-feira, 30 de maio de 2008

Interpretar imagens

Pode uma imagem ser vista de forma crítica?

Acho que sim.

Acho que tanto o texto como as imagens são passíveis de interpretação pessoal. Assim como os textos sofrem influência do material que os veículam, do conhecimento prévio do leitor, de suas vivências, seu repertório, do momento e local em que é lido, as imagens também são observadas e interpretadas cada qual sob estas variáveis.

Fiquei pensando se seria mesmo culpa da televisão e de sua prioridade na comunicação por imagens que resultaria num público cada vez mais acrítico. Não acho que isso de fato ocorra. Acho que assim como um texto, uma imagem captada e selecionada por alguém tem uma intenção. O autor da imagem sempre pretende passar uma idéia que nem sempre é entendida da forma como ele pretendia, as imagens são sempre permeadas por uma interpretação pessoal. A observação de imagens requer um pensamento ainda mais complexo para de fato ser entendida num contexto ou em outro.

Sendo assim, acho que a educação recebida é que gera este público que não tem capacidade de observar a realidade nas entrelinhas, capacidade de ver além do que lhe é dado, capacidade de relacionar os conhecimentos e acontecimentos, desprovido de senso crítico.

domingo, 18 de maio de 2008

Novas perspectivas para o livro

Após a discussão na última aula a respeito do futuro dos livros comecei a vislumbrar possibilidades. Acho que cada vez mais acreditamos na utilização consciente da natureza, talvez daqui um tempo até mesmo os livros entrem no hall do desperdício, aí então, os livros de papel seriam considerados verdadeiras relíquias. Acho que cada vez mais os livros serão digitalizados. Acho que muito do nosso mundo passará a ser virtual, o mesmo ocorrerá com os livros. O problema é que nem todos tem acesso a este mundo digital e nem terão.
Isso talvez crie mais um obstáculo em direção à leitura e à escrita, talvez elas se tornem ainda mais virtuais e distantes da maioria da população. Mas acho que estas previsões estão um pouco mais distantes do agora.
Por outro lado, acho que vemos hoje em dia, uma retomada dos grandes clássicos em coleções luxuosas, esta é também uma nova perspectiva para os livros, em nossa sociedade de consumo, sua valorização não só por seu texto mas também pelo produto em si.
Diante destas perspectivas me pergunto se a simples possibilidade de ter acesso a um livro e de lê-lo, já não é um avanço para a população, geralmente, mais voltada para a televisão do que para a leitura. Ainda que estes livros sejam de qualidade questionável, como foi exemplificado pelas alunas ao falarem dos "instant books", não seria preferível a leitura destes livros ao invés de passar horas em frente a televisão. Não seria melhor comentar a respeito de um livro ao invés de se interessar apenas pelo final da novela?

Acho que as duas perspectivas que ressalto acima, tanto a dos livros virtuais quanto a dos livros luxosos, ambas afastam o livro da grande maioria da população, principalmente se considerarmos a impossibilidade financeira de adquirir tais obras. Talvez os "instant books", ou os "poket books", ou os livros vendidos nas bancas, ainda que de qualidade questionável sejam um primeiro passo na reconquista de um vasto público leitor.

No entanto, me pergunto agora, se essa reconquista do público leitor precisaria, de fato, ser feita a custo da qualidade do livro e de seu texto?

terça-feira, 13 de maio de 2008

De pouquinho em pouquinho, se lê um montão

Conheço uma professora que faz um trabalho interessantíssimo de Biblioteca de classe. Na sua proposta as crianças tem um momento diário de leitura em sala de aula. Os livros lidos foram trazidos pela professora e pelos alunos de casa. A leitura diária dura por volta de vinte minutos, sempre após o recreio. Este horário já fica reservado para esta atividade, assim, as crianças chegam do recreio e já iniciam a leitura de seus livros, ou pegam um que já começaram e continuam a lê-lo, ou escolhem um livro novo na estante no fundo da sala reservada especialmente para os livros da Biblioteca de classe.


O que mais me chama a atenção nesta atividade é a idéia da leitura diária, mesmo aqueles que resistem muito à leitura acabam cedendo e se rendendo a algum tipo de leitura. Os livros são muito variados, de diferentes gêneros, o que acaba por contentar a diversos gostos, por isso mesmo, as crianças se envolvem muito no processo e trazem vários exemplares. Mesmo aqueles que não gostam de ler acabam vencendo a resistência, percebendo que ao ler um pouco por dia podem completar a leitura de um exemplar inteiro. Esta satisfação de completude acaba incentivando as crianças a continuarem a ler, elas percebem que de pouquinho em pouquinho elas conseguem concluir a leitura e se orgulham disso.

Existem momentos de recomendação de leitura, quando um aluno sugere para a sala a leitura de um livro que tenha gostado muito. Além disso, a cada livro trazido para a biblioteca, a criança que o trouxe apresenta o para a sala.

Todo este projeto vai de encontro com idéias nas quais acredito muito, uma delas é a de que a leitura deve ser diária. Por mais curto que seja o período dedicado à ela logo vê-se o resultado e têm-se então, mais e mais satisfação e disponibilidade para a leitura.

domingo, 4 de maio de 2008

Indicar um livro para um amigo

Uma amiga escreveu a respeito de sua relação com a leitura, eu achei muito interessante e me identifiquei com suas palavras, portanto as trancrevo aqui.

"Gosto muito de ler e sei por experiência própria que não é sempre que conseguimos levar adiante uma leitura que nos propusemos pensando que seria prazerosa e gratificante. Às vezes, mesmo cuidando muito da escolha do livro que vamos começar a ler, a leitura não avança e é abandonada. O tema nos parece entediante, o estilo do autor chato, a história meio sem graça...
O fato é que sempre fico muito contente quando encontro (ou melhor dizendo: escolho) o “livro certo na hora certa”, são histórias que passam a fazer parte da minha vida de uma maneira muito marcante. A leitura é também um tema muito compartilhado com amigos e fico satisfeita quando sugiro ou recebo uma sugestão de um livro que encaixa bem com o leitor e o emociona."

A reflexão da Inês me remeteu às nossas aulas e aos assuntos que temos discutidos. Achei interessante esta idéia de indicar livros para os amigos e acertar na sugestão. Acho que este gostar ou não gostar de um livro varia muito conforme o momento em que estamos vivendo, como já disse aqui no blog e acho que para indicarmos um livro para um amigo temos que conhecer bem seus gostos, interesses ou ter uma idéia do que a pessoa procura, para então indicar de maneira acertiva um livro.

Já indiquei livros para amigos os quais adorei e a pessoa mal conseguiu começar a ler e outros no entanto que acertei na indicação.

Acho que não há regras, mas quanto mais nos conhecemos ou conhecemos o outro, mais chances temos de encontrar um livro que agrade, um livro com o qual passemos a conviver de maneira prazeirosa.