Fiquei bastante intrigada com a discussão, na última quinta-feira, a respeito do "dom" da escrita. Fui para casa pensando no assunto e elaborando a questão em minha cabeça. O que eu pensava a respeito daquilo? Como poderia ter exposto minha idéia? Fiquei então, pensando em falar sobre este assunto no blog e comecei a pensar em como escreveria, o que diria, comecei a organizar as idéias. O engraçado é que eu fazia isso no banho.
Foi aí que me ocorreu que eu poderia falar sobre este processo de planejamento de escrita, e não do assunto exatamente. Pois sempre que tenho um trabalho para escrever ou idéias para organizar (mesmo idéias a respeito das quais eu não vá escrever) faço este trabalho de planejamento no banho. Parece-me que neste momento eu relaxo, fico calma e então as idéias aparecem, começo a ver saídas, fazer conexões, penso em novas possibilidades. Muitas vezes ao sair do banho, fui anotar o que tinha pensado para depois reescrever as idéias. Meu último grande trabalho escrito e que ainda está em processo, é uma monografia para um curso que acabei de terminar.
Para escrever sobre o tema, li vários autores e destaquei várias idéias que gostaria que estivessem no meu trabalho. Fui então escrever, havia diferentes frentes de escrita com diversos autores e alguns assuntos que eu queria mencionar, fui então escrevendo um pouco de cada e guardando, deixando descançar. Tendo já trechos escritos, comecei a pensar na "Introdução" e depois comecei a ordenar os temas e a fazer conexões entre eles conforme ia elaborando o modo como pretendia expor e comentar as idéias. Mudei várias vezes a ordem do que estava escrito e cada vez mais, ia fazendo conexões e ia ficando mais claro para mim e no trabalho, onde é que eu pretendia chegar. A formulação e execução da monografia foi um processo contínuo, eu tinha claro apenas o tema de que queria tratar mas como o faria, que abordagem teria, como escreveria, foi sendo elaborado num processo, levou tempo. Muitas vezes eu me perdia numa idéia, não sabia o que fazer com aquilo e nem como unir os trechos e era no banho que eu as esclarecia.(que nenhum ecologista leia isso, mas eu demorava um pouquinho a mais no banho dependendo do assunto...)
Enfim, o processo de escrita e de elaboração das idéias a serem expostas é longo, não aparece do nada, leva certo tempo e dedicação. Quanto mais complexo o assunto e determinado o tipo de texto, mais empenho vai demandar a elaboração da escrita e cada um tem seus truques e manias ao trilhar estes caminhos.
segunda-feira, 31 de março de 2008
terça-feira, 25 de março de 2008
Trilha pelo desconhecido
Acho interessante o movimento das pessoas em busca do desconhecido. Quando lemos um livro acho que trilhamos este caminho, não sabemos o que vamos encontrar, a leitura é um investimento, leva tempo, é preciso dedicação, assim como as descobertas diárias na vida. No filme, "O carteiro e o poeta", acho que o carteiro segue para este desconhecido quando se interessa pelo poeta. Ele não sabe ao certo o que é poesia, mas vai em busca dela. Fica fascinado pelo poeta, ainda que seu interesse se dê devido à admiração das mulheres pelo artista, ele sai em busca de algo novo. Ele não tem certeza de quase nada em sua vida mas não quer ser pescador. Quando o poeta pede que ele descreva a rede de pesca, ele diz que elas são tristes.
Acho que o carteiro nunca viria a ser um poeta das palavras, mas ele foi tocado pela poesia.Tanto é que não foi com palavras que ele falou ao poeta na gravação, mas sim com os sons da ilha. Ele gravou diversos sons, e foi lindo, esta foi sua poesia.
A aprendizagem segue este caminho pelo desconhecido, e o carteiro pôde aprender muito com o poeta, ele cresceu, pôde transformar-se. Eles tocaram um o outro.
Acho que o carteiro nunca viria a ser um poeta das palavras, mas ele foi tocado pela poesia.Tanto é que não foi com palavras que ele falou ao poeta na gravação, mas sim com os sons da ilha. Ele gravou diversos sons, e foi lindo, esta foi sua poesia.
A aprendizagem segue este caminho pelo desconhecido, e o carteiro pôde aprender muito com o poeta, ele cresceu, pôde transformar-se. Eles tocaram um o outro.
sábado, 15 de março de 2008
Antes de dormir
Depois de muito anos enrolando para começar a ler um livro, por mais que eu tivesse interesse em lê-lo, e de desistir de muitos livros logo no começo, descobri o seguinte: a leitura é um hábito.
Adquiri há uns três anos o hábito de ler quase todo dia a noite antes de dormir, e desde então consegui ler vários livros os quais me interessavam muito mas que eu nunca arrumava tempo para ler. Para tanto, substituí a televisão antes de dormir pelo livro, e foi uma ótima troca.
Acabei criando um momento especial de descanço e relaxamento e o melhor, um tempo só meu, um tempo comigo mesma. Deito me calmamente na cama, acendo o abajur, e naquela luz baixa agradável é que relaxo antes de dormir. As vezes leio super pouco, logo fico com muito sono e já durmo, outras vezes fico tão ligada que tenho que simplesmente parar de ler, do contrátio não acordo no dia seguinte.
Este hábito se tornou uma satisfação na rotina tão agitada, fico de vez em quando, ansiosa durante o dia pelo momento da leitura antes de dormir. Admito que pode até ser uma expectativa por dormir mesmo... mas a leitura anterior a isso também é aguardada.
Acho que o mais interessante neste processo é que desde que criei este hábito consegui ler várias obras. Dia após dia, lendo apenas algumas páginas consegui desfrutar de momentos muito especiais que só a leitura de um bom livro pode proporcionar.
Adquiri há uns três anos o hábito de ler quase todo dia a noite antes de dormir, e desde então consegui ler vários livros os quais me interessavam muito mas que eu nunca arrumava tempo para ler. Para tanto, substituí a televisão antes de dormir pelo livro, e foi uma ótima troca.
Acabei criando um momento especial de descanço e relaxamento e o melhor, um tempo só meu, um tempo comigo mesma. Deito me calmamente na cama, acendo o abajur, e naquela luz baixa agradável é que relaxo antes de dormir. As vezes leio super pouco, logo fico com muito sono e já durmo, outras vezes fico tão ligada que tenho que simplesmente parar de ler, do contrátio não acordo no dia seguinte.
Este hábito se tornou uma satisfação na rotina tão agitada, fico de vez em quando, ansiosa durante o dia pelo momento da leitura antes de dormir. Admito que pode até ser uma expectativa por dormir mesmo... mas a leitura anterior a isso também é aguardada.
Acho que o mais interessante neste processo é que desde que criei este hábito consegui ler várias obras. Dia após dia, lendo apenas algumas páginas consegui desfrutar de momentos muito especiais que só a leitura de um bom livro pode proporcionar.
domingo, 9 de março de 2008
Liberdade ao escrever
Considero me pouco criativa para escrever... acho que quando se trata de textos narrativos, de contar uma história inventada, não consigo escrever nada muito interessante. Gostava mesmo no colegial era de escrever dissertações. Os temas eram os mais variados e eu adorava expor lá no papel a minha opinião, afinal tinha que extravasar aquele monte de idéias que eu tinha de alguma forma, já que nas aulas e em discussões não gostava de me expor.
E lá eu disparava um monte de idéias a respeito de assuntos polêmicos os quais devíamos pensar, argumentar a respeito, levantar os prós e os contras. Nossa! É engraçado lembrar da tamanha propriedade com que eu falava do socialismo, da revolução Francesa, da Russa, críticas ao capitalismo, opinava a respeito de toda a sociedade! Era íntima de Marx, dos ideais franceses de igualdade, fraternidade e liberdade! Ai, ai ai!
Quando adolescentes nós achamos que já vivemos muito e que conhecemos muito da vida, queremos opininar, somos críticos afiados, temos a verdade na ponta da língua... mal sabemos que a vida está começando ali... aos poucos... acho que esta suposta propriedade de mim, me libertava para falar mais, me importar menos com o que os outros iam pensar, agora me policio mais ao escrever, ao opinar, me preocupo com o que vou dizer. Acho que isso é sinal de amadurecimento, mas ao mesmo tempo acabo não dizendo coisas interessantes que poderia expor. As vezes, penso que gostaria de recuperar um pouco daquela onipotência adolescente tão libertadora e inconsequente.
E lá eu disparava um monte de idéias a respeito de assuntos polêmicos os quais devíamos pensar, argumentar a respeito, levantar os prós e os contras. Nossa! É engraçado lembrar da tamanha propriedade com que eu falava do socialismo, da revolução Francesa, da Russa, críticas ao capitalismo, opinava a respeito de toda a sociedade! Era íntima de Marx, dos ideais franceses de igualdade, fraternidade e liberdade! Ai, ai ai!
Quando adolescentes nós achamos que já vivemos muito e que conhecemos muito da vida, queremos opininar, somos críticos afiados, temos a verdade na ponta da língua... mal sabemos que a vida está começando ali... aos poucos... acho que esta suposta propriedade de mim, me libertava para falar mais, me importar menos com o que os outros iam pensar, agora me policio mais ao escrever, ao opinar, me preocupo com o que vou dizer. Acho que isso é sinal de amadurecimento, mas ao mesmo tempo acabo não dizendo coisas interessantes que poderia expor. As vezes, penso que gostaria de recuperar um pouco daquela onipotência adolescente tão libertadora e inconsequente.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Esperar...
Lembro me de viver intensamente o ano em que fui alfabetizada. Na minha escola ainda se usava cartilha e a alfabetização lá, era considerada muito "forte" ( leia-se rígida). Eu adorava aprender a ler e escrever, ficava na maior expectativa em relação a aprendizagem de novas letras, ficava namorando na cartilha as lições que se seguiriam, logo ia aprender o ss, rr e também o ch, nh, lh. Lembro me muito bem dos personagens, das ilustrações, e ainda, aprendi direto a escrever em letra cursiva, nem me lembro de ter visto a letra bastão e de fato não vi. Enfim, apesar de tradicionalíssimo passei sem traumas por esta fase, acho que pude aproveitar bastante.
No entanto, a alfabetização hoje, através de projetos, áreas de interesse, respeitando as hipóteses da criança, despertam a curiosidade, leva a criança a comparar, a observar, a se arriscar, e isso as torna mais ativas na construção do conhecimento. Elas não ficam esperando o professor explicar tudo em aulas expositivas, só recebendo, elas são participantes, são questionadas e levadas a questionar. Além disso, precisam ser curiosas para aprender, para ir um pouco mais além do que já sabem.
Acho que eu era muito interessada, gostava de aprender, mas recebia toda a informação de bandeja, estava tudo ali posto, todas as letras, a grafia certa das palavras, era certo ou errado, não tinha talvez, não tinha uma indagação. Acho que isso acabou limitando certas oportunidades de crescimento e de busca de autonomia, este tipo de ensino era muito relacionado com a espera.... eu esperava a próxima letra, a próxima lição... não buscava sozinha o conhecimento, eu esperava.
Este início que tive, fala muito da minha escrita que se seguiu até agora, e acho que este olhar crítico me ajuda a mudar esta história. Mas a escrita de hoje em dia fica para uma próxima postagem!
No entanto, a alfabetização hoje, através de projetos, áreas de interesse, respeitando as hipóteses da criança, despertam a curiosidade, leva a criança a comparar, a observar, a se arriscar, e isso as torna mais ativas na construção do conhecimento. Elas não ficam esperando o professor explicar tudo em aulas expositivas, só recebendo, elas são participantes, são questionadas e levadas a questionar. Além disso, precisam ser curiosas para aprender, para ir um pouco mais além do que já sabem.
Acho que eu era muito interessada, gostava de aprender, mas recebia toda a informação de bandeja, estava tudo ali posto, todas as letras, a grafia certa das palavras, era certo ou errado, não tinha talvez, não tinha uma indagação. Acho que isso acabou limitando certas oportunidades de crescimento e de busca de autonomia, este tipo de ensino era muito relacionado com a espera.... eu esperava a próxima letra, a próxima lição... não buscava sozinha o conhecimento, eu esperava.
Este início que tive, fala muito da minha escrita que se seguiu até agora, e acho que este olhar crítico me ajuda a mudar esta história. Mas a escrita de hoje em dia fica para uma próxima postagem!